A Petrobras apresentou à YPFB uma proposta de venda integral das refinarias. Segundo o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, a decisão foi tomada em razão do decreto de segunda-feira (7), que torna a empresa boliviana a única exportadora do petróleo cru e dos derivados, como a gasolina, produzidos no país.
Antes do acordo, Gabrielli não quis revelar o valor pedido pelas refinarias. Mas, segundo a assessoria da estatal brasileira, ambas foram adquiridas em 1999, por US$ 104 milhões, "em estado lastimável". As refinarias de Gualberto Villarroel, em Cochabamba, e Guillermo Elder, em Santa Cruz são responsáveis por toda a gasolina consumida na Bolívia.
A negociação entre Brasil e Bolívia foi facilitada pela interdependência entre os dois países, avalia o professor Coordenação dos Estudos de Pós Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Giuseppe Bacoccoli. "A negociação foi o melhor caminho na medida em que o Brasil tem uma interdependência, um cordão umbilical o ligando à Bolívia, que é o Gasoduto Bolívia-Brasil", afirma o professor.
VALORES - Em nota divulgada nessa quinta-feira (10) à noite, a Petrobras afirma que sua proposta inicial de venda das refinarias que mantêm na Bolívia não foi alterada durante as negociações com Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), a estatal petrolífera boliviana. A empresa brasileira informa que a negociação foi conduzida por seus representantes no país.
De acordo com a nota, o valor proposto pela Petrobras e aceito pela YPFB, de US$ 112 milhões, cerca de R$ 224 milhões, foi calculado por uma instituição financeira internacional independente, que teria se baseado na capacidade de geração de fluxo de caixa futuro das refinarias de Gualberto Villarroel, no distrito de Cochabamba, e Guillermo Elder, em Santa Cruz de la Sierra. Já a agência boliviana de notícias BolPress, ligada ao governo do país, divulgou que, durante as negociações, a estatal brasileira teria reduzido a proposta inicial de US$ 200 milhões para US$ 153 milhões para, ao final, aceitar os US$ 112 milhões.
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