sábado, 12 de maio de 2007

Usina Ceara Steel é uma ameaça?

Praticamente desde que começou o impasse entre Petrobras e investidores sobre o preço do gás natural para o abastecimento da Ceara Steel — há cerca de sete meses —, fontes ligadas ao mercado discretamente já creditavam o posicionamento da estatal ao lobby feito pelas gigantes do setor da siderurgia nacional contra o projeto. A hipótese ganhou ainda mais força depois que o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) publicou documento contra a instalação da usina cearense.

Em meio ao jogo de interesses, as maiores siderúrgicas do País vêm ampliando suas investidas sobre o mercado. Juntas, Gerdau, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Votorantim anunciaram, recentemente, investimentos para os próximos anos superiores a US$ 6 bilhões, no Brasil e no exterior, revelando o apetite dos grupos para ganhar participação de mercado aqui e lá fora. Mas será que a Ceará Steel representa, de fato, uma ameaça?

Na análise do economista Otávio Augusto Sousa Miranda, consultor do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), a princípio, a resposta é negativa. “Toda a produção de aço da Ceara Steel está voltada para a exportação, não sendo uma ameaça ao mercado nacional. O que pode estar acontecendo é que estas empresas tenham receio de mudanças no futuro. Mas é difícil saber o que tem por baixo disso tudo”, avalia. Por outro lado, olhando pela perspectiva do mercado internacional, as chapas de aço produzidas no Ceará ganharão o mercado asiático, tendo a coreana Dongkuk, sócia da Ceara Steel, como principal cliente. “O que tirará mercado das demais”, esclarece o economista.

No entanto, para Miranda, o que não pode ser esquecido, em detrimento dos interesses dos grandes grupos econômicos, é que a Ceara Steel não é apenas um projeto privado. “Ela tem um componente estruturante para a economia de uma região subdesenvolvida e, nesse contexto, a Petrobras, por ser do governo, não pode ser impedida de assumir o papel de viabilizar um projeto dessa natureza e economicamente viável, como ela mesma já declarou”, afirma.

Na sua avaliação em se tratando de políticas de desenvolvimento regional, a transferência de renda acontece de forma muito mais eficaz e duradoura por meio da produção, ao invés de estar fundamentada na utilização de recursos governamentais. “Agora, cada vez é mais uma decisão política”, conclui. (ADJ)

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