sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Arrecadação chega a R$ 430 bi até setembro; Ganho com CPMF é 10% maior

Martha Beck - O Globo

BRASÍLIA - A arrecadação de impostos e contribuições federais atingiu R$ 48,480 bilhões em setembro, o que representa um crescimento real de 4,14% em relação ao mesmo mês em 2006 e um recorde para esta época do ano. No acumulado de 2007, a sociedade brasileira já pagou R$ 429,967 bilhões em tributos - alta de 9,94% sobre o ano passado e maior valor da História para os primeiros nove meses de um ano.

Segundo dados da Receita Federal, o governo conseguiu receber em setembro R$ 420 milhões referentes a depósitos judiciais de empresas do setor de metalurgia. Esse resultado, combinado com o pagamento de impostos atrasados por contribuintes que renegociaram suas dívidas com o Fisco, provocou um crescimento de 107% na rubrica "Outras Receitas Administradas".

Também contribuiu para o recorde do mês o recolhimento de PIS/Cofins por entidades financeiras. A arrecadação do PIS subiu 13,96% sobre setembro de 2006 e a da Cofins, 36,37%. Isso porque, no ano passado, empresas desse segmento da economia utilizaram PIS/Cofins para compensar créditos tributários. Já o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do setor de automóveis teve elevação de 40,55% sobre o mesmo mês no ano passado em função do aumento das vendas no mercado interno.

Ainda segundo a Receita, a arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) aumentou 41,07% em setembro. Isso ocorreu por conta do pagamento de IR por contribuintes que tiveram ganhos de capital na venda de bens e também em operações em Bolsa.

No acumulado do ano, os tributos que mais contribuíram para o bom desempenho da arrecadação foram o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), que tiveram altas de 13,62% e 13,05%, respectivamente. Segundo o Fisco, esse comportamento se explica pelo crescimento da economia, que elevou o lucro das empresas. Entre os setores que mais influenciaram a arrecadação do IRPJ e da CSLL estão o automotivo, financeiro, de telecomunicações, metalurgia e eletricidade.

O IRPF teve crescimento de 36,76% em 2007. Assim como em setembro, isso ocorreu em função dos ganhos dos contribuintes com a alienação de bens e com operações em Bolsa. O IPI teve alta de 15,10% no período, o que, segundo a Receita, se deve ao bom desempenho da indústria no ano. O IPI do setor de automóveis cresceu 16,57% na mesma comparação.

Já a CPMF, que o governo luta para prorrogar no Congresso, registrou uma arrecadação de R$26,962 bilhões em 2007. Isso representa um crescimento de 10,61% em relação a 2006.

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